IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas

Fundado em 1992, o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas nasceu movido por uma urgência: impedir que o mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus) desaparecesse para sempre. A espécie endêmica, ou seja, que só ocorre no estado de São Paulo, estava à beira da extinção, restrita a poucos fragmentos isolados de Mata Atlântica, sendo o Parque Estadual Morro do Diabo, no Pontal do Paranapanema, extremo Oeste paulista, um dos últimos refúgios.

Os pesquisadores foram a campo com a missão de estudar, monitorar e proteger o mico-leão-preto. A ciência, no entanto, trouxe um entendimento importante: não era possível salvar o animal sem salvar a floresta. A perda de habitat era a raiz do problema. 

Havia também outra percepção importante: conservar não era apenas uma tarefa biológica, era também social. Sem educação ambiental, sem diálogo com produtores rurais e instituições parceiras, e sem alternativas econômicas para as comunidades locais, qualquer esforço seria insustentável. 

Esse foi o ponto de virada

O IPÊ deixou de olhar apenas para uma espécie e passou a enxergar a paisagem. Conservar biodiversidade significava restaurar florestas, reconectar fragmentos, formar viveiristas e empreendedores florestais, envolver assentamentos rurais, influenciar políticas públicas e integrar conservação da biologia com desenvolvimento regional.

O que começou no Pontal do Paranapanema ganhou escala e método. A experiência acumulada na Mata Atlântica tornou-se referência e ultrapassou fronteiras geográficas. Ao longo dos anos, o IPÊ expandiu sua atuação para outros biomas brasileiros, como a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal, sempre mantendo a mesma essência: ciência aplicada, engajamento comunitário e soluções de longo prazo para a conservação da biodiversidade.

Foi dessa visão ampliada, construída a partir da ciência, da escuta, da experiência no território, aliada a um olhar estratégico para tornar a restauração economicamente viável, inclusive com a inserção no mercado de créditos de carbono, que o plantio em larga escala se tornou possível no Pontal do Paranapanema. Essa estrutura permitiu que a restauração deixasse de ser pontual e passasse a ganhar escala na paisagem. Um sonho que começou com a proteção de um primata ameaçado e evoluiu para ações de reconexão da Mata Atlântica.

E, desde então, é isso que o IPÊ faz: planta florestas, reconecta territórios e constrói futuros em que a conservação da biodiversidade e desenvolvimento socioeconômico caminham juntos.